A História
A década de 90 foi marcado pela epidemia do HIV / AIDS e a falta de leitos ou casas de apoio que acolhessem pessoas infectadas era a maior necessidade, especialmente entre crianças e recém nascidos. Abandonadas por pais sem condições econômicas e psicológicas estas crianças moravam em Hospitais e Unidades Básicas de Saúde por falta de um local onde pudessem viver e receber tratamento adequado.
Diante desta necessidade um grupo de amigos fundou o LALEC no dia 26 de abril de 1999, com o intuito de acolher e dar apoio a 20 crianças com o HIV / AIDS.
O grupo iniciou suas atividades e em outubro do mesmo ano uma feliz coincidência, chegava a casa a vigésima criança, uma menininha inteligente, linda e muito dócil, cujo nome era Vitória!
Os anos foram passando e, felizmente, devido a acertadas medidas do governo do estado de São Paulo na prevenção da doença durante o pré-natal, os chamados para acolhimento de crianças caíram lenta e gradativamente.
Notando essa diminuição no atendimento de crianças com o HIV / AIDS e a, ainda, crescente necessidade de atender crianças abandonadas e em situação de vulnerabilidade social, no inicio do ano de 2009 passamos a atender apenas a esta nova demanda, no intuito de atender com qualidade um numero maior de crianças.
Os vários anos de vitórias e resultados positivos foram comemorados nos 10 anos do lar, que reuniu antigas crianças e seus familiares, em uma festa em que antigos laços de amizade e irmandade entre elas foram retomados e que nos encheu de força e alegria para mais 10 anos de trabalho.
Sobre o Abrigo
"O abrigo, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é considerado como uma medida de proteção, provisória e excepcional, utilizável como forma de transição para posterior colocação das crianças e adolescentes em família substituta, não implicando privação de liberdade (art. 101, § único).”
“Ainda, no artigo 92, o ECA determina quais são os princípios e critérios que devem orientar este programa:”
•preservação dos vínculos familiares e integração em família substituta, quando esgotados os recursos de manutenção na família de origem;
•atendimento personalizado e em pequenos grupos;
•desenvolvimento de atividades em regime de co-educação;
•não-desmembramento de grupos de irmãos;
•evitar sempre que possível, a transferência para outras entidades de crianças e adolescentes abrigados;
•participação da vida na comunidade local;
•preparação gradativa para o desligamento;
•participação de pessoas da comunidade no processo educativo.
“O abrigo é um lugar que oferece proteção, uma alternativa de moradia provisória dentro de um clima residencial, com atendimento personalizado, em pequenas unidades, para pequenos grupos de crianças.”
“Este é um programa que se caracteriza por propiciar às crianças e adolescentes, a oportunidade de participar na vida da comunidade através da utilização de recursos como escolas, áreas de lazer, centros médicos, quadras esportivas, etc.”
“Certamente a provisoriedade e a transitoriedade são circunstâncias vividas no abrigo, mas esta provisoriedade está inteiramente relacionada à história singular de cada criança e ao projeto de vida que se puder construir com ela.”
“Assim como existem crianças que terão uma permanência breve, que pode durar horas ou dias, existem crianças e/ou adolescentes que terão uma permanência continuada, que poderá durar meses ou anos.”
“Embora o retorno da criança à família de origem ou a colocação da criança numa família substituta seja uma prioridade, o abrigo deverá ter as condições para ficar o tempo que for necessário com as crianças que ainda não foram integradas a uma família.”
“O abrigo é um programa que faz parte de toda uma rede de atendimento, que visando atingir o máximo de eficácia utilize os diversos serviços nela contidos.”
“Convém ressaltar ainda, a necessidade de realização de um trabalho articulado com órgãos públicos como os conselhos tutelares, a justiça da infância e da juventude e os programas das diversas secretarias incumbidas das políticas sociais do município.”
“É importante entender que o abrigo é idealmente uma medida provisória de proteção que pressupõe um contínuo empenho no restabelecimento para a criança, da possibilidade da vida familiar e da construção de seu projeto de vida.”
Texto Cadernos de Ação n°3 - "Trabalhando Abrigos" – CBIA/SP, páginas 22 e 23.
Resultados
O LALEC,através da segurança de um lar com ambiente familiar, tem atingido os seus objetivos de melhorar a qualidade de vida das crianças, matriculando-as na escola, oferecendo-as tratamentos médicos e odontológicos, psicoterapia, fonoaudilogia, fisioterapia, atividades externas e passeios, promovendo sua inserção social e exercício de cidadania.
Estamos empenhados em continuar a fornecer a estas crianças seus direitos fundamentais de pessoa humana, para que possam desfrutar de uma vida mais saudável no futuro junto a seus familiares ou famílias substitutas.
167 crianças já moraram no LALEC;
Quanto ao destino:
70 crianças foram adotadas no Brasil;
08 adoções internacionais;
49 retornaram para suas famílias;
21 foram para outras casas de apoio;
15 estão na casa;
02 sem dados;
02 óbitos
Quanto ao estado de saúde:
33 crianças foram negativadas;
25 vivem com HIV / AIDS;
16 estão indetectáveis;
02 aguardam por resultados;
91 crianças em situação de vulnerabilidade social;
* última atualização: 09/04/2010
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Fonte: LALEC